segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O governador do Pará perdeu o controle da segurança pública no estado.

Em menos de 24 horas fugiram dos Centros de Recuperação Penitenciário do Pará (CRPP) 213 detentos. 
Manifestação durante a Tribuna Popular pela Paz em Altamira.

A fuga em massa aconteceu na última quarta-feira nos municípios de Abaetetuba e Santa Isabel do Pará. 
Em Abaetetuba fugiram 155 detentos, até sábado a polícia havia recapturado 25. Antes da fuga o centro de recuperação tinha lotação de 65% a mais de detentos do que a capacidade de 120 vagas. 
Já em Santa Isabel fugiram 58 detentos, o presídio é o que abriga mais detentos no estado com 1160 presidiários, uma lotação com cerca de 56% acima da capacidade. 
Além das fugas da última quarta-feira, o sistema penitenciário já tinha registrado fugas em Marabá e Altamira no inicio do Mês. 
No município de Altamira no inicio de outubro ocorreu uma chacina que vitimou jovens estudantes e trabalhadores que até hoje o sistema de segurança pública do Pará não deu respostas sobre os possíveis assassinos. 
As fugas em massa no estado do Pará e a incapacidade do governador e sua equipe em gerenciar o sistema de segurança constatam a falência da Segurança pública do estado e é um retrato fiel do abandono do estado pelo governador Simão Jatene (PSDB).


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Tempos temerosos, retrocessos e o empoderamento feminino

Por: Claudia Medeiros
Antes de qualquer coisa é importante refletir sobre o que significa o termo empoderamento, versão aportuguesada do vocábulo em inglês “empowerment”, é um neologismo criado por Paulo Freire, que segundo dicionários da língua portuguesa, como Aurélio e Houaiss, define “o ato ou efeito de promover conscientização e tomada de poder de influência por uma pessoa ou grupo social, geralmente para realizar mudanças de ordem social, política, econômica e cultural no contexto que lhe afeta”. Busca-se, portanto, dar a alguém ou algum grupo o poder de decisão e no caso específico das mulheres, a busca do empoderamento significa dar ferramentas necessárias para que o grupo reivindique e conquiste políticas públicas que beneficiem ou diminuam suas dificuldades específicas, o que em uma sociedade patriarcal e machista como a brasileira, é extremamente fundamental.
Manifestação do 08 de março em Altamira-PA.

            No dia 18 de abril de 2016, dia fatídico de votação que resultou no impeachment de uma “Presidenta” eleita democraticamente e destituída do poder por ser mulher e por não participar de esquemas de corrupção, os deputados ao votarem “sim”, dedicavam seu voto para a “família e em nome de Deus”. Essa suposta veneração à “família” passou a fazer parte da agenda do governo ilegítimo: Marcela, esposa de Temer, assumiu o posto de “primeira dama ideal”, “bela, recatada, e do lar”, e o Temeroso, no 8 de março, Dia Internacional da Mulher, disse que “as mulheres percebem melhor as alterações na economia porque veem a diferença de preços no mercado, e que a responsabilidade do trabalho doméstico e cuidado das crianças é nossa”; mais recentemente, revelou mais uma vez seu machismo, ao afirmar que “para não quebrar, os governos precisam passar a ter marido”, uma reafirmação que nesse projeto político golpista, nós mulheres, somos feitas para sermos subjugadas, sem autonomia e para obedecer os maridos.
Amparado pelo desgoverno de Temer, a burguesia a cada dia que passa emana o seu lado mais reacionário, visa-se apenas o lucro, e para isso, propõe-se medidas que atacam os direitos da classe trabalhadora e diminuem terras protegidas (causando um avanço de madeireiros, minerados e grileiros sobre terras indígenas, contribuindo assim, para o aumento do genocídio de indígenas e morte de campesinos). Outra face desse fascismo que anda aflorado, pode ser percebido no aprofundamento do racismo e do patriarcado.
Nessa perspectiva, na composição do ministério, Temer mostrou o lugar que as mulheres teriam, nenhum. Um ministério sem mulheres, é coerente para um governo ilegítimo, formado por homens, em sua maioria acima dos 60 anos, refletindo perfeitamente um projeto patriarcal, a serviço do capital e do imperialismo. Ressalta-se, que após críticas, Temer convidou uma mulher para fazer parte de seu desgoverno e ocupar a “secretaria de mulheres”, e em nada surpreende, ser uma mulher de “Deus e da família” e que é contra o aborto.
Dentre tantas medidas desrespeitosas como a “PEC da Morte”, a Reforma do Ensino Médio, a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência, uma coisa em comum, todas precarizam de forma acentuada a vida da mulher, desvelando o machismo. A reforma trabalhista, por exemplo, prevê que grávidas poderão trabalhar em ambientes insalubres e com aumento da jornada de trabalho (medida que reforça a dupla jornada de trabalho feminino), que associada à PEC da Morte, diminui investimentos em políticas sociais, incluindo os gastos em serviços de socialização dos cuidados, dentre eles hospitais e creches, contribui para a maior jornada de trabalho das mulheres, pois estas farão trabalho gratuito, substituindo os serviços públicos, caberá a elas o cuidados com as crianças, doentes e idosos.
Além disso, o desgoverno de Temer, reduziu de 61% (de R$ 42,9 milhões para R$ 16,7 milhões) o orçamento destinado as políticas públicas de atendimento as mulheres vítimas de violência, e reduziu em 54% (de R$ 11,5 milhões para R$ 5,3 milhões) o valor para políticas de incentivo à autonomia das mulheres, reafirmando a ideologia patriarcal e de certa forma, a violência física contra a mulher, agora legitimada pelo Estado.
Para coroar, o Senado faz consulta pública sobre projeto que defende a extinção do termo feminicídio do código penal e com o intuito de cada vez mais controlar nossos corpos, no último mês, uma comissão aprovou a PEC 181/2011, chamada pelas ativistas de Cavalo de Tróia, porque inicialmente essa emenda previa o aumento do tempo de licença maternidade para as mães que tivessem filhos prematuros e que, recentemente foi alterada depois da pressão exercida pela bancada evangélica sobre o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Que acabou criando tal comissão que mudou a proposta inicial, inserindo termos, que na prática, institucionalizados inviabilizarão qualquer discussão sobre o aborto no Brasil, além de criminalizar os casos em que o procedimento hoje é permitido, como gravidez que decorrem de casos de estupro e que colocam em risco a vida da mãe. Vale destacar, que os números sobre o aborto no Brasil são alarmantes e que uma em cada cinco mulheres aos 40 anos já fez, pelo menos, um aborto, segundo estimativa da Pesquisa Nacional do Aborto, realizada pelo Instituto Anis. Dessas, a grande maioria utiliza o abortamento ilegal: estima-se que 1 milhão de procedimentos, em geral inseguros, são realizados por ano no Brasil, o que de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada dois dias uma mulher morre por complicações decorrentes do aborto ilegal.  
Por todos os dados apresentados, o momento político tem prejudicado principalmente as mulheres, é um desmonte das políticas de combate à violência contra a mulher, que precisam cada vez mais se empoderar e lutar por seus direitos. Esse empoderamento, uma retomada de poder pelas mulheres contribuirá para o crescimento econômico, social e político do Brasil.

*Claudia Medeiros é militante do MMTA-CC – Movimento de Mulheres Trabalhadoras de Altamira.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

BELO SUN TENTA ÚLTIMA CARTADA PARA CONSEGUIR EXPLORAR OURO NO XINGU

A mineradora transnacional Belo Sun, pertencente a um banco canadense, tenta iniciar a exploração de 108 toneladas de ouro na Volta Grande do Xingu ainda em 2017.

A mineradora canadense está utilizando da tática de cooptação para direcionar o posicionamento das famílias moradoras da região onde pretende instalar o maior projeto de ouro a céu aberto do Brasil. 
Quem denuncia isso é a diretoria da cooperativa mista de garimpeiros (COOMGRIF), que tenta conseguir junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) uma área para garimpar. 
Fala do presidente da Associação de Moradores da Vila da Ressaca, seu Francisco. 
A principal liderança da cooperativa e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) o senhor José Pereira Cunha (conhecido como Pirulito) revela que se sente ameaçado pela forma como a empresa manipula a mente das famílias da vila da Ressaca e Ilha da Fazenda. 
"A mineradora canadense fala para as famílias que a licença de instalação está travada na justiça por causa da resistência das ONGs, movimentos populares e do Pirulito" diz o Pirulito. 
Na última quinta-feira (23) foi realizada uma audiência pública na vila da Ressaca, e contou com a participação de dezenas de atingidos, para a surpresa de muita gente cerca de 150 pessoas foram recepcionar os convidados da audiência com muita agressividade. 

Coordenada pelo prefeito do município de Senador José Porfírio, Dirceu Biancardi (PSDB), a recepção era para os convidados não saírem sequer das voadeiras, dentre os convidados estavam a imprensa, ONGs,  Prelazia do Xingu, Pesquisadores, Defensorias Públicas do Estado (DPE) e União (DPU).
A audiência foi muito tumultuada por parte das pessoas que se dizem a favor, já os que são contra o projeto respeitaram as intervenções do outro grupo. 
Fala do Cacique Giliard Juruna, da aldeia Muratu (Terra Indígena Paquiçamba).

A fala do Prefeito, Presidente da Câmara Municipal, algumas lideranças foram praticamente iguais. Todos fizeram falas contra as ONGs, havia até uma faixa escrita "Fora ISA, Xingu Vivo, MAB e Pastorais". 
Para o MAB as falas e grito de ordem foram muito bem ensaiadas e orientadas pela Belo Sun, pois a empresa não está conseguindo a liberação do inicio das obras por questões técnicas e jurídicas, portanto, tenta manipular a população como última cartada para conseguir pressionar a liberação da licença de instalação. 
O Movimento também enxerga que a mineradora e o prefeito passaram a ser agitadores, ao contrário do dever que ambos tem, a primeira de empreendedora e o segundo de gestor e executor de políticas públicas. 
Essa audiência mostrou o nível de acirramento da luta na região, e que a Belo Sun medirá forças com as organizações da classe trabalhadora podendo utilizar de diversas armas para a criminalização de lideranças que moram na região há décadas. 


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sexta-feira, 2 de junho de 2017

A Frente Brasil Popular criou núcleo em Brasil Novo-PA

Na noite de ontem a Frente Brasil Popular reuniu no município de Brasil Novo-PA discutiu a conjuntura e criou o núcleo da Frente naquele município. 

A Frente Brasil  Popular (FBP) é uma frente de luta de massa que foi criada em 2015, durante esse período ela se transformou no maior instrumento da classe trabalhadora de enfrentamento ao Golpe no país. 
Ao mesmo tempo que a FBP foi criada a nível nacional, as organizações populares da Transamazônica e Xingu também abraçaram a causa e a criou nessa região. 
Ao longo de dois anos várias lutas nacionais foram construídas como a greve geral do dia 28 de abril e a ocupação de Brasília do dia 24 de maio. 
Segundo os militantes do núcleo regional Xingu da Frente Brasil Popular o objetivo é criar núcleos em todas as médias e pequenas cidades do brasil, por isso a iniciativa de construir a Frente em Brasil Novo-PA. 
Ontem as organizações que participaram e que agora integram o núcleo da Frente Brasil Popular de Brasil Novo são: MAB, STTR, COPOXIN, PJ e vereadora Jiovana Lunelli (PT).
Antes de Brasil Novo, na região do Xingu só tinha o núcleo regional e o do município de Altamira-PA, agora a tendência é priorizar a construção e o enraizamento da frente nos municípios. 
Além de Brasil Novo, o objetivo é construir a Frente Brasil Popular em municípios como Medicilândia, Vitória do Xingu, Uruará, Souzel e Placas. 
Hoje está marcada uma reunião em Medicilândia para a criação do núcleo municipal da Frente Brasil Popular, os moradores do município e organizações da classe trabalhadora estão convidadas a construir esse instrumentos da Luta pelo Fora Temer, Diretas Já e contra a retirada de direitos.